Museu Sankofa Memória e História da Rocinha

URI permanente para esta coleçãohttps://homologacao-saberespopulares.icict.fiocruz.br/handle/123456789/594

O desejo e a vontade de preservar as Memórias e Histórias sobre a Favela da Rocinha são antigos. Partimos do propósito iniciado com o livro "Varal de Lembranças" (edição de 1983), que contou com a participação de alunos da Escolinha de Alfabetização da Ação Social Padre Anchieta (ASPA), coordenado pela professora Lygia Segala e organizado por ela junto a Tânia Regina — que, na época, era educadora popular e secretária da União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha (UPMMR) — e o então presidente da associação, Antônio de Oliveira. (Link: https://laboep.uff.br/wp-content/uploads/sites/133/2020/01/CCEL_Rocinha-scaled.jpeg)

A partir de 2002, a ASPA — instituição em que fui coordenador de 1996 a 2009 — estabeleceu uma parceria com o Centro Internacional de Estudo e Pesquisa sobre a Infância (CIESPI/PUC- Rio). Através de dois projetos, a Brinquedoteca Peteca (ASPA) e a Rede Brincar (CIESPI), a parceria contribuiu para sermos selecionados, em um edital de 2004 do MinC, como o Ponto de Cultura "Centro Lúdico da Rocinha". Ao interagirmos com outros pontos de cultura do Brasil por meio do Fórum dos Pontos de Cultura e de encontros locais, regionais e nacionais — as chamadas "Teias dos Pontos de Cultura" —, essa vivência ampliou o desejo de nos aprofundarmos na preservação, salvaguarda e fruição das múltiplas memórias da favela. (Link: https://centroludicodarocinha.wordpress.com/)

Este processo se consolidou em 2007, com o primeiro Fórum Cultural da Rocinha, que contou com a participação de atores locais, convidados e o Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Neste fórum, foi produzido o Plano Cultural da Rocinha. (Link: https://museusankofarocinha.com.br/a-rocinha/)

No ano de 2009, tivemos a primeira reunião onde montamos uma exposição em formato de "Varal de Roupas" com o acervo que já possuíamos. Este encontro contou com a presença do diretor do Departamento de Museus (DEMU/IPHAN) e professor de museologia na Unirio, Mario Chagas, e de sua assessora Claudia Rose, também diretora do Museu da Maré. A fala de ambos foi decisiva: "pelo que vocês já têm aqui, podem considerar que já são um museu". As provocações de Mario Chagas e Claudia Rose nos estimularam a tirar do papel a idéia do museu, que intitulamos, em um primeiro momento, como "Movimento Pró-Museu da Rocinha Sankofa Memória e História". Este processo evoluiu para a formação do "Coletivo do Museu Sankofa Memória e História da Favela da Rocinha", que segue se consolidando.

Em 2010, dentro da primeira atividade do Fórum Cultural da Rocinha, realizamos o "Dia da Cultura" (celebrado na semana de 18 de julho). Ali, promovemos a segunda atividade do museu: o "Chá de Museu". Assim como em um chá de bebê ou de panela, onde as pessoas levam presentes, convidamos os moradores longevos para compartilhar seus saberes, fazeres e histórias relacionadas à Rocinha. Esses relatos são registrados e passam a compor o acervo do museu.

O MUSEU SANKOFA DA ROCINHA – MEMÓRIA E HISTÓRIA DA FAVELA DA ROCINHA constitui- se como um grupo sem fins lucrativos, de caráter social, cultural, educacional, ambiental, Endereço: Sala emprestada para uso provisório Av. Niemeyer, 776 - São Conrado, Centro de Cidadania Rinaldo Delamare 12 ° Sala 1201, Rio de Janeiro - RJ, 22610-095 , contato: (21) 981925334. https://museusankofarocinha.com.br/, https://www.instagram.com/museu_sankofa_da_rocinha tecnológico e de saúde.

Nosso objetivo é cuidar das histórias e narrativas da Rocinha, colaborando também com as adjacências e demais favelas e periferias. Temos como princípios a independência de qualquer vinculação político-partidária ou religiosa, regendo-nos pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência — observados, notadamente, na execução de parcerias com o Estado. Defendemos o direito às memórias e a promoção dos direitos humanos, valorizando o patrimônio cultural, histórico, natural, material e imaterial através de ações socioeducativas e da elaboração de conceitos e metodologias.

Nestes 19 anos de trajetória, foram muitas as atividades e parcerias, mesmo sem um espaço físico próprio e com escassos recursos financeiros e humanos. Fomos entendendo que poderíamos ser um "museu de percurso" e virtual. Já contamos com cinco publicações (e a sexta a caminho). Atualmente, buscamos um espaço físico para abrigar nossos mais de 20 mil documentos e objetos — dos quais mais da metade já está digitalizada e catalogada na Biblioteca do Gragoatá (UFF/Laboep) pela doadora, professora Lygia Segala, cofundadora do Museu Sankofa.

Nossas primeiras parcerias são sempre os moradores e ex-moradores, seguidos por instituições como a Escola de Música da Rocinha, Movimento Rocinha XXI, CMS, XXVII R.A., Albert Sabin e Oi Futuro. Ao longo do tempo, somaram-se o Instituto Moreira Salles, escolas municipais e estaduais, coletivos e ONGs locais. Contamos também com o apoio de departamentos da PUC-Rio (Comunicação, Design, Serviço Social/LEUS), Uerj (História e Sociologia), Unirio (PPGMS - Observatório de Turismo em Favela) e CECIP, além de recebermos alunos de diversas universidades estrangeiras.

Estamos presentes no Fórum dos Pontos de Cultura, somos reconhecidos como "Ponto de Memória" pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e pelo Sistema Estadual de Museus-RJ. Atuamos também nas Redes de Favela Sustentável e de Museologia Social (REMUS-RJ), tendo sido diplomados com o prêmio Ações Locais, da própria REMUS-RJ, e o prêmio Heloneida Studart de Cultura, da ALERJ.

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